Boa Vista Serviços assume o SCPC

Proteção do crédito vira empresa

Companhia, que nasce com R$ 808 milhões, já fala em abrir o seu capital social

A Boa Vista Serviços (BVS), empresa que assume o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), foi lançada oficialmente nesta quarta-feira. A companhia, que nasce com um capital de R$ 808 milhões, tem como principal acionista a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com mais de cerca de 60% de participação. Os outros sócios são o Fundo de Investimentos TMG Capital, com participação de 25% e o restante está nas mãos do Clube dos Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro, da Associação Comercial do Paraná e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

Até o momento foram investidos R$ 220 milhões na criação da nova empresa, que nasce com informações comerciais de 130 milhões de consumidores e empresas dos mais variados segmentos e portes espalhados por todo o território brasileiro. Os recursos foram destinados a inovação tecnológica e contratação de pessoal.

Sobre o próximo ano, o presidente da companhia, Dorival Dourado, evitou dar valores sobre o quanto será investido, mas ressaltou que o objetivo daqui para frente será a criação de novos produtos, adaptados à realidade de cada cliente. “O portfólio será remodelado e ampliado. Os investimentos serão significativos”, declarou.

Gestão de crédito

A BVS vai disputar o mercado de gestão de crédito com a Serasa Experian e Equifax, ambas de origem estrangeira. Segundo Dourado, o objetivo é crescer acima da média do mercado. A demanda por serviços para crédito tem acompanhado o movimento de busca por financiamentos. “Os serviços para crédito crescem a taxas de 20% ao ano. Pode ser que haja uma redução em 2011 devido às recentes medidas anunciadas pelo Banco Central. Mas se baseando na nossa capacidade de inovação, vamos crescer acima do mercado”, explicou o executivo.

A Boa Vista será uma empresa full service, com o objetivos de oferecer menor tempo de resposta e maior grau de satisfação para banco e varejistas. Durante a apresentação, Dourado ressaltou que a BVS cobrirá todo o território nacional e buscará entender e adaptar seus produtos às diversidades e especificidades de cada região. “Ter uma rede nacional é um grande diferencial. A parceria com os sindicatos e representantes de lojistas irá nos permitir isso. Queremos trabalhar mais próximos do cliente”, detalhou. Somente as associadas somam mais de 2 mil.

Cartões

Ele lembrou que, no momento, estão sendo discutidos quais serão os produtos voltados para a distribuição nacional. Entre os lançamentos, a BV estuda novos modelos estatísticos. “Não vamos antecipar, mas estamos investindo em determinados modelos que vão auxiliar e muito na tomada de decisões”, afirmou. Além disso, a Boa Vista pode vir a atacar o segmento de cartões private label, que são oferecidos pelos lojistas aos consumidores.

“Mesmo varejistas de pequeno porte precisam hoje ter seu próprio plástico. A idéia é desenvolver para os lojistas um kit cartão de crédito. Além do cartão, vamos oferecer softwares e outros produtos que agreguem valor ao varejista”, explicou o presidente da TMG Capital, Luiz Francisco Novelli Viana

Desmutualização

O SCPC fazia parte da ACSP e não tinha fins lucrativos. Para a criação da Boa Vista, este braço da entidade passou pelo processo de desmutualização, ou seja, deixou de ser uma associação sem fins lucrativos para se tornar uma Sociedade Anônima. “A associação percebeu a necessidade de ter um sistema profissionalizado, diante do forte crescimento do crédito. Assim buscamos um fundo para desmutualizar a associação. Através desta operação buscamos perenizar o sistema, de forma a sermos mais competitivos”, explicou o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti. Ao lembrar que a ACSP é uma entidade centenária, Burti destacou que é preciso olhar o presente e o futuro, não o passado.

A TMG Capital investiu R$ 220 milhões para ter a participação de 25% na nova empresa. “Vimos a oportunidade porque o Brasil tem registrado forte crescimento do crédito. Havia uma necessidade de aperfeiçoamento do SCPC para se tornar mais competitivo. Os mercados estão cada vez mais sofisticados”, destacou o presidente da TMG, ao lembrar que o movimento de crescimento do crédito está relacionado à bancarização.

A participação do fundo na BVS é limitada a 40% do capital da empresa. De acordo com Viana, novos aportes somente serão realizados caso haja oportunidades de aquisições ou a necessidade de ampliação dos investimentos. “Podemos aportar mais capital em uma eventual aquisição ou necessidade de investimento. Ainda é cedo para afirmar”, disse o executivo.

Abertura de capital já é possível

Sobre a possibilidade de a BVS vir a buscar recursos no mercado, através da abertura de capital, Viana destacou que esta saída não está descartada, mas não faz parte dos projetos da nova empresa para o curto prazo. De acordo com o presidente da TMG, este pode vir a ser um segundo passo, no médio longo prazo.

No momento, a visão é de tocar os negócios com os investimentos iniciais dos sócios. “É possível que venhamos a fazer uma oferta inicial de ações – IPO – de forma a democratizarmos o capital. Este é um importante passo”, destacou.

Os executivos não deram o faturamento estimado para a nova empresa. O SCPC realiza 145 milhões de transações de negócios através do SCPC, atendendo mais de um milhão de clientes diretos, num mercado que cresce a taxas superiores a 20% ao ano. A inserção de novos consumidores leva as empresas a ampliarem as busca por informações para a tomada de decisões.

(Fonte: Monitor Mercantil)

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