O cheque pode ser inimigo do lojista

O cheque pode facilitar vendas, mas também pode representar prejuízo para o lojista.

Especialistas estão sempre lembrando os cuidados que se deve ter ao receber cheques. Recentemente, um lojista telefonou a um possível emitente de cheque,informando que o seu cheque havia retornado. O consultado declarou que o cheque mencionado faria parte de um talão que fora roubado no caminho de sua residência. O banco reconheceu que o correntista não tinha responsabilidade por esse talão. E, assim, todos os cheques do referido talão ao serem compensados, eram devolvidos. Foi o caso do lojista.

O pior é que o cheque, segundo o varejista, era de terceiro e ainda lhe deu troco.  O consultado perguntou se ele havia tomado o cuidado de verificar a coincidência da assinatura do cheque com a da carteira de identidade. O lojista disse que havia recebido de um antigo cliente e que, por isso, não tinha como conferir a assinatura do emitente.

O cheque de terceiro, o autêntico voador, muitas vezes pode ter sido roubado. Por isso, o lojista deve tomar muito cuidado quando recebê-lo. Os mesmos cuidados que se deve ter quando o cheque é do próprio emitente presente, contudo maiores atenções deve-se ter com o cheque de terceiros.

Estes cheques são muito comuns em bares, restaurantes, pois os seus donos os repassam para os fornecedores como pagamento de produtos recebidos. A prática tornou-se mais comum quando da época da famosa CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, pois o pagamento com repasse de cheque de terceiros não recolhia a Contribuição dos intermediários.

É evidente que o lojista não pode evitar de receber cheque de outra pessoa que não seja o do comprador. Todavia, há que se tomar uma série de cuidados. Lojistas experientes procuram não receber este tipo de cheque. Não sendo para pagamento de clientes conhecidos, fidelizados à loja, recusam. Mas mesmo quando entregues por consumidores conhecidos, uma série de cuidados devem se tomados antes de ser formalizado o pagamento.

Primeiro, deve verificar se o cheque está corretamente preenchido, atentando para o valor escrito por extenso e em número. Se não há rasura.  Se for “bom”, isto é, se o cheque não foi roubado e se o emitente não está “pendurado” em bancos e financeiras. Para isso deve consultar uma das centrais de proteção de cheques, por exemplo, o SPC (informações no Comercial do CDL-Rio através do telefone 2506-1273/1206).

Trocar cheque por dinheiro, principalmente se é de terceiro, é outro problema para o pequeno lojista. Arranjar uma desculpa para não trocar deve sempre ser considerada.

O lojista não está obrigado a receber cheque como forma de pagamento. Mas é obrigado a afixar em local visível a informação clara e precisa que o estabelecimento não aceita cheque como forma de pagamento. A mesma providência deve ser tomada no caso de não aceitar pagamento com cartão de crédito. Providência necessária para resguardar o lojista de qualquer ação sobre a questão.

(Por Luiz Bravo, editor da Empresário Lojista – Revista mensal do CDL-Rio e Sindilojas-Rio)

O cheque pode ser inimigo do lojista
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