Perfil do Inadimplente no Rio de Janeiro

Desemprego e descontrole são as principais causas da inadimplência no comércio do Rio de Janeiro

A boa recuperação dos índices de emprego formal ainda não se refletiu no déficit financeiro acumulado dos consumidores. O desemprego 33,9% ao lado do descontrole de gastos 21% são as principais causas da inadimplência no comércio do Rio de Janeiro, seguidas por fianças e avais 11,3%, queda de renda 10,5%, doença em família 8,1% e outras.É o que mostra a pesquisa “Perfil do Inadimplente” feita pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDLRio – que ouviu 800 consumidores que procuraram os postos de atendimento do Serviço de Proteção ao Crédito da entidade durante o mês de setembro para regularizar o nome.

Dos entrevistados 46,8% são homens e 53,2% são mulheres. Dos homens, 39,7% têm entre 21 e 30 anos, 53,4% têm renda familiar entre um e três salários mínimos, 43,1% têm o segundo grau completo e 13,8% tem curso superior completo. Das mulheres 36,4% têm entre 21 e 30 anos, 62,1% têm renda familiar entre um e três salários mínimos, 40,9% têm o segundo grau completo e 6,1% têm o curso superior completo.

Em comparação com a pesquisa do ano passado os entrevistados tiveram seu perfil modificado quanto o grau de instrução, que melhorou sensivelmente, e também houve uma acentuada mudança na idade dos inadimplentes. Aumentou consideravelmente o número de consumidores a partir de 21 anos e diminuiu bastante a faixa etária a partir de 60 anos.

Eles foram incluídos no cadastro por dívida contraída junto a bancos, empresas de cartão de crédito, comércio, financeiras, empresas prestadoras de serviço e a financiamento imobiliário. A pesquisa mostra que ao adquirirem o crédito os consumidores informaram que o fizeram através de cartão de crédito, cartão de loja, cheque e carnê.

A pesquisa mostra também que 8,1% têm prestações atrasadas no valor de até R$ 100,00, 10,5% até R$ 200,00, 8,9% até R$ 350,00, 4% até R$ 500,00 e 3,2% até R$ 1.000,00, além de outras faixas de endividamento. Dos entrevistados 45,2% pretendem quitar o débito fazendo acordo com os credores, 30,6% usando recursos do próprio salário, 13,7% com empréstimo, 5,6% com recursos das férias, entre outros recursos.

Quando tiveram os nomes incluídos no Serviço de Proteção ao Crédito, 33,1% trabalhavam informalmente, 28,2% no comércio, 9,7% eram prestadores de serviços, 8,1% na indústria, 5,6% na construção civil e em outras atividades.

Dos 800 consumidores ouvidos, 37,1% disseram que a sua situação financeira melhorou em relação ano passado, 42,7% que está igual, 19,4% responderam que piorou e 0,8% não responderam. Após quitar a dívida 38,7% dos entrevistados disseram que pretendem voltar a fazer compras nos próximos meses, principalmente móveis, roupas/calçados, eletrodomésticos, celular, alimentos, automóveis e restabelecer seus cartões de crédito, além de outros bens.

Segundo o presidente do CDLRio, Aldo Gonçalves, as lojas de roupas, calçados, móveis e de eletrodomésticos que vendem com prazos mais longos são as que mais sofrem com a inadimplência. “Mas a boa notícia é que além da retomada do crescimento das vendas no comércio, o nível de inadimplência vem caindo: no acumulado dos nove meses do ano foi de 1,4% e as dívidas quitadas cresceram 6,4%. Isso mostra que os lojistas têm sempre uma boa proposta de renegociação dos débitos, reduzindo ainda mais a inadimplência”, concluiu.

Perfil do Inadimplente no Rio de Janeiro
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