Resultados do comércio em 2012 e perspectivas e desafios para a economia Carioca e Fluminense

O estado e a cidade do Rio de Janeiro passaram por décadas de decadência econômica. De acordo, por exemplo, com dados do IBGE, entre 1970 (quando se consolida a transferência da Capital para Brasília) e 2010, o estado do Rio de Janeiro passou de uma participação no PIB nacional de 16,7% para 10,8%. Isso significou uma perda de participação no PIB nacional de 35,2%, a maior, nesse período, entre todas as unidades federativas.
 
Essa trajetória levou também a que a economia fluminense perdesse densidade e, pela diminuição da base de arrecadação, que fosse ultrapassada pela economia mineira, a partir de 2004, em termos de arrecadação de ICMS, de acordo com dados do Confaz/Ministério da Fazenda.
 
A partir de período recente, o ERJ e a cidade do Rio passam a apresentar uma melhoria em seus indicadores econômicos. O maior dinamismo econômico recente no ERJ decorre dos grandes investimentos produtivos, principalmente na área industrial, que começam a chegar ao estado desde os anos 1990 e já passam a apresentar resultados, como também de investimentos industriais ocorridos em período mais recente. Decorre ainda de uma ampliação de investimentos que decorrem da conquista da condição de sede de megaeventos pela cidade do Rio de Janeiro, desde 1997 com o Panamericano.
 
Dessa forma, ao analisarmos o crescimento do emprego com carteira assinada, no ERJ, no ano de 2012, verificamos, de acordo com dados do CAGED/MTE recentemente divulgados, que o ERJ apresenta um dinamismo ligeiramente superior ao do país. Nesse ano, o crescimento do emprego no ERJ foi de 4,2%, contra um crescimento na Região Sudeste de 3,2 % e no Brasil de 3,4%. Na mesma direção, a cidade do Rio de Janeiro apresentou um crescimento do emprego com carteira assinada, no total das atividades econômicas, de 4%, também superior ao crescimento ocorrido na Região Sudeste e no total do Brasil.
 
Também positiva é a formalização do emprego que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, conhecida por sua tradicional informalidade. Entre 2003 e 2012 – série mais longa com a mesma metodologia através de dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE-PME/IBGE, o emprego com carteira assinada na cidade do Rio de Janeiro apresentou um crescimento de expressivos 33,4% e uma queda no número de trabalhadores sem carteira de 13,7%. Além disso, a ocupação por conta própria, que inclui hegemonicamente trabalhos precários, como camelôs, por exemplo, também apresentou uma queda de 2,3%.
 
No entanto, permanecem diversos desafios, do ponto de vista estratégico, com o objetivo de gerar um maior adensamento da estrutura produtiva carioca e fluminense, ampliando, assim, o emprego, a renda e a capacidade de consumo nessas duas regiões.
 
Provavelmente por esse motivo, a variação do emprego formal no total do comércio e no setor serviços, que depende da renda e da capacidade de consumo, permaneceu, no ERJ e na cidade do Rio de Janeiro, inferior ao verificado no total do Brasil.
 
Na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com dados do CAGED/MTE, no ano de 2012, o crescimento do emprego com carteira no total do setor comércio e serviços foi de, respectivamente, 3,3% e 3,2%, contra um crescimento do emprego no comércio e nos serviços, no Brasil, de, respectivamente, 4,4% e 4,3%. No ERJ, nesses dois setores, o crescimento do emprego com carteira, no ano de 2012, foi de, respectivamente, 3,5% e 3,9%.
 
Na mesma direção, se o volume de vendas no comércio, no ERJ, foi positivo, em 2012, apresentando um crescimento de 4,1%, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE-PMC/IBGE, verifica-se que, nesse ano, no Brasil esse resultado foi bem mais expressivo, com um crescimento de 8,4%.
 
Da mesma forma, ao analisarmos o resultado da produção física industrial, no ano de 2012, calculada pela Pesquisa Industrial Mensal-Produção Física-IBGE, verificamos que, se o resultado no Brasil não foi bom, com uma queda de 2,7%, no ERJ foi ainda mais decepcionante, com uma queda de 5,6%. No caso da indústria, o pior resultado do ERJ deve-se, por um lado, a um fator estrutural, pela perda de densidade econômica ocorrida desde os anos 1960 e 1970, que levou o estado a apresentar uma estrutura produtiva industrial muito concentrada em poucos setores, como metalurgia básica; minerais não metálicos; e refino de petróleo e álcool, que não apresentaram bom desempenho em 2012. Por outro lado, o pior resultado na indústria deve-se a um fator conjuntural: o mau desempenho do setor de veículos automotores. Neste último, enquanto no Brasil, em 2012, ocorreu uma queda da produção física industrial de 13,5%, no ERJ essa queda atingiu 35,5% .
 
Deve-se lembrar que as vendas do setor de veículos automotores foram influenciadas negativamente por uma forte queda nas vendas do setor de caminhões, ônibus e utilitários, que tombaram cerca de 20% em 2012, por causa do início de vigência, em janeiro de 2012, de novas normas técnicas para motores a diesel. Deve-se ter em conta que, nesse cenário, o ERJ foi mais prejudicado, pela presença, no Médio Paraíba, da produtora de caminhões Man Latin America.
 
No ano de 2013, as perspectivas são melhores para o ERJ e a cidade do Rio de Janeiro. Isso não só pelo fato de que o Brasil deve apresentar um crescimento econômico mais expressivo, como também pelo fato de a produção e a venda de caminhões provavelmente apresentarão forte crescimento, entre outros fatores, pela safra recorde que o Brasil terá. A cidade e o estado também deverão se beneficiar pela maior proximidade da realização de megaeventos na região. No ano de 2013, por exemplo, chegarão à cidade mais de 2 milhões de jovens, para o Encontro Mundial da Juventude Católica.
 
No entanto, para consolidarmos uma saída do círculo vicioso que gerou décadas de perda de participação do emprego e da economia da cidade e do estado na economia nacional, é importante aprimorar estratégias que venham a permitir um salto qualitativo nas políticas sociais, de infraestrutura e de adensamento da estrutura produtiva carioca e fluminense.
 
Com esse objetivo, entendemos ser fundamental haver uma maior discussão e um aprimoramento da estratégia de fomento socioeconômico e de ampliação da densidade produtiva, na cidade e no estado do Rio de Janeiro, para um melhor aproveitamento das janelas de oportunidades existentes no âmbito regional.
 
Mauro Osório – Economista

Resultados do comércio em 2012 e perspectivas e desafios para a economia Carioca e Fluminense
Compartilhe:
FacebooktwitterredditpinterestlinkedinmailFacebooktwitterredditpinterestlinkedinmail