Desafios da Economia Brasileira

A economia brasileira, a partir dos anos 1990, principalmente a partir do Plano Real, apresentou diversos avanços. Além da queda da inflação para padrões civilizados, a distribuição de renda cresceu fortemente, permitindo assim um significativo aumento das vendas nas atividades de comércio e serviços.
 
Entre os fatores que possibilitaram esse avanço, destaca-se a forte elevação do salário mínimo, que, descontando a inflação, teve o seu poder de compra triplicado, entre 1991 e 2012, passando de um valor (a preços de janeiro de 2013, usando o INPC como deflator) de R$ 202,64, em 1991, para R$ 647,34, em 2012. Também positiva foi a ampliação da relação crédito/PIB no país, que, entre 2003 e 2012, passou de 24,8% para 50,8%, de acordo com dados do Banco Central.
 
Isso levou inclusive a um significativo crescimento do volume de vendas do comércio varejista no Brasil, que, em 2012, foi de 8,4%, apesar do PIB brasileiro ter apresentado um crescimento de apenas 0,87 %, conforme dados do IBGE.
 
Entre os avanços na economia brasileira, podemos ainda destacar uma importante diminuição da relação entre a dívida pública líquida e o PIB (principal indicador de solvência de um país, utilizado internacionalmente), que, entre 2002 e 2012, caiu de 64,4% para 35,2% (dados do Banco Central); uma significativa queda da taxa de juros Selic, do Banco Central, entre julho de 2011 e janeiro de 2013, de 12,5% para 7,25%; e um forte crescimento da formalização do emprego no país, que facilita a compra a crédito, pela comprovação de emprego, e ajuda a dinamizar o comércio.
 
Entre 2003 e 2012, verifica-se através da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE que, nas principais metrópoles brasileiras, o emprego com carteira apresentou um forte crescimento de 50,4%, contra uma queda do emprego sem carteira de 10,3 %.
 
Entre os desafios para os próximos anos, encontra-se o fato de que o crescimento do crédito relativamente ao PIB não poderá ser mais um instrumento de dinamização das vendas, pois já atingimos uma relação crédito/PIB equivalente à existente nos países desenvolvidos e uma continuidade do crescimento dessa relação pode vir a gerar uma bolha e problemas futuros.
 
Além disso, apesar da inadimplência não estar fora de controle, após ela apresentar uma queda, de acordo com dados do Banco Central, de 7,53%, em janeiro de 2010, para 5,68%, em novembro de 2010, passou a crescer atingindo um percentual, em novembro de 2012, de 7,79%.
 
Dessa forma, para ocorrer uma continuidade sustentável da melhoria da distribuição de renda no país, da geração de emprego formal com qualidade e a redinamização do crescimento do PIB, faz-se necessário contar também, para os próximos anos, com o desenho de políticas que levem à ampliação dos investimentos em infraestrutura, seja nos campos da logística e da energia – tendo em vista a necessidade de diminuição do Custo Brasil e ampliação da competitividade da economia brasileira – seja no campo do saneamento, principalmente no que diz respeito diretamente à vida do cidadão, tendo em vista que até o momento em torno de 50% da população brasileira ainda não se beneficiam de esgoto tratado.
 
Mauro Osório – Economista

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