Inflação

A inflação medida pelo IPCA foi, no mês de março, de 0,47%, atingindo em 12 meses o percentual acumulado de 6,59%, superando assim o teto da meta de inflação definido pelo Conselho Monetário.
 
A inflação tem sido puxada pelo preço dos alimentos e por uma elevação dos preços no setor serviços.
 
Entre os alimentos destacam-se, nos últimos 12 meses, a elevação da farinha de mandioca, 151,39%; o tomate, 122,13%; a batata inglesa, 97,29%; a cebola, 76,46%; e o alho, 53,13%.
 
Apesar de elevada, a inflação de março, pelo IPCA, de 0,47%, foi inferior ao que o mercado projetava, algo em torno de 0,50%. Além disso, em 2013 a inflação em março foi inferior a de janeiro, de 0,56%, e de fevereiro, 0,60%.
 
Os analistas, hegemonicamente, têm apontado que a inflação de 2013 deverá ser inferior à de 2012, não estando, portanto, fora de controle.
 
Contribuirão para a desaceleração a safra recorde prevista no Brasil e por não haver previsão de problemas climáticos em outros países, como ocorreu no ano de 2012 nos Estados Unidos.
 
Contribuirá também, o término das fortes chuvas ocorridas no início do ano, que influenciaram a elevação dos preços dos produtos em natura. Nessa direção, o Jornal Folha de São Paulo de hoje, página B8, trouxe a seguinte manchete: “oferta melhora e tomate cai 43% na Ceagesp”. A matéria começa com o seguinte trecho: “Pisoteado nas últimas semanas, o tomate deverá ser esquecido a partir de agora. A oferta melhora e os preços começam a voltar ao normal. Apenas neste mês, a queda acumulada nos preços já é de 43% na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns de São Paulo)”.
 
Contribuirá, ainda, para uma provável desaceleração da inflação em 2013, o fato de o real, que sofreu significativa desvalorização em relação ao dólar no ano de 2012, aumentando o preço dos produtos importados e impactando a inflação, poder ficar estável neste ano.
 
Uma prova de que a desvalorização do real impactou os preços, é o fato de que índices que apresentam um peso maior da variação cambial, no ano de 2012 apresentaram uma inflação mais elevada do que o IPCA. Em 2012, o índice de inflação pelo IGP-M foi de 8,04%. Por outro lado, como o valor do dólar em relação ao real tem apresentado uma estabilidade no ano de 2013, este índice vem apresentando queda nos três primeiros meses, tendo sido em março de, apenas, 0,21%.
 
Esse cenário, em princípio, aconselharia o Banco Central a não elevar a taxa de juros a curto prazo. No entanto, tendo em vista a indexação ainda existente na economia brasileira, as expectativas inflacionárias no momento e o fato de termos uma situação básica de pleno emprego, uma pequena elevação da taxa SELIC pode vir a contribuir para a consolidação da reversão da taxa de inflação apresentada nos dois últimos anos.
 
Mauro Osório – Economista

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