Inflação de maio e perspectivas para 2013

O IPCA, após uma forte elevação, a partir de setembro de 2012, atingindo 0,86% em janeiro de 2013, começou a apresentar queda, fechando os meses de abril e maio, apontando uma inflação de, respectivamente, 0,55% e 0,37%.
 
Essa queda, de abril para maio, foi influenciada principalmente pelos produtos relacionados com a cesta básica e alimentos. De acordo com matéria do Jornal do Commercio, de 10/6/2013, p. A3, o custo da cesta básica em termos nominais, medido pelo Dieese – que realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica –, recuou, em maio, em 12 das 18 capitais. “As quedas mais expressivas, de acordo com o levantamento, foram apuradas em Manaus (- 4,91%), Salvador (- 3,76%) e Belo Horizonte (- 3%).”
 
Apesar da queda do IPCA neste ano, a partir de fevereiro, a inflação em doze meses tem girado em torno do teto da meta, pelo fato de que, no ano passado até agosto/2012, a inflação mensal foi baixa, elevando-se fortemente a partir de setembro/2012, principalmente pela quebra de safra ocorrida na economia internacional.
 
Dessa forma, a inflação até agosto/2013 ainda ficará próxima do teto da meta de inflação, sendo que, em junho/2013, deverá novamente ultrapassar o teto, pois a base de comparação com junho/2012 será bastante baixa, uma vez que a inflação em junho/2012 foi a mais baixa do ano passado, de apenas 0,08%.
 
A partir de julho/2013, e principalmente setembro/2013, a inflação deverá recuar significativamente, pois, além de não haver nenhuma previsão de quebra de safra, alguns fatores deverão favorecer uma queda do índice inflacionário.
 
Em primeiro lugar, a safra agrícola recorde no Brasil, em 2013. Em segundo lugar, a desaceleração da China, a recuperação ainda lenta dos EUA e a continuidade da crise europeia não devem gerar nenhum aumento nos preços das commodities (talvez até pelo contrário). Em terceiro lugar, o consumo das famílias, em 2013, no Brasil, já aponta uma significativa desaceleração, seja pelo efeito da inflação já ocorrida, seja pelos reajustes salariais estarem próximos dos níveis inflacionários, seja ainda porque o crescimento do crédito deverá apresentar uma significativa desaceleração em 2013.
 
Dessa forma, mantém-se, em nosso entendimento, a perspectiva de, em 2013, a inflação ainda permanecer acima da meta, mas com alguma desaceleração em relação à inflação no ano de 2012, de 5,84%.
 
Nesse cenário, no entanto, surge uma interrogação, pela falta de clareza sobre como se comportará o dólar no ano de 2013. Isto porque, principalmente, a perspectiva no mercado, hoje, de melhora da economia americana, já gera uma migração de recursos dos países periféricos para os EUA, ocasionando uma tendência de desvalorização do real, pela menor oferta de dólar. Isso levou o dólar a apresentar, em 10/6/2013, um valor de R$ 2,148, o maior dos últimos quatro anos.
 
É importante lembrar que, a cada 10% de desvalorização do real em relação ao dólar, especialistas em cálculo de inflação apontam que pode ocorrer uma elevação do IPCA anual entre 0,3% e 0,5%.
 
Um dado positivo, nesse cenário, são as elevadas reservas em dólar que o Brasil possui, em torno de US$ 375 bilhões.
 
Economistas liberais propõem que os governos deixem o dólar flutuar livremente. No entanto, é importante lembrar que, na prática, os países que adotam o dólar flutuante apresentam, via de regra, uma “flutuação suja” e que o governo brasileiro, tendo em vista a forte liquidez internacional e a volatilidade do valor das moedas em relação ao dólar, deve procurar atuar no sentido de evitar que uma abrupta queda do dólar impacte a inflação brasileira.
 
Mauro Osório – Economista

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