Causas da Inflação


Existe um debate sobre se a aceleração inflacionária a partir de meados de 2012, que elevou a inflação a valores em torno do teto da meta, foi uma aceleração disseminada e com forte influência dos preços do setor de serviços ou se foi influenciada centralmente pelos choques climáticos que ocorreram nesse período.
 
Isto tem consequências do ponto de vista da política monetária, pois, se a primeira hipótese estiver certa, uma elevação da taxa de juros faz mais sentido. Caso a segunda hipótese esteja certa, uma elevação da taxa de juros teria menos importância para a desaceleração inflacionária.
 
Como contribuição, encaminho anexo, artigo publicado no Estado de S. Paulo, do último domingo, de Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV.
 
Amir Khair, em um artigo publicado na edição de domingo, dia 28/07/2013, do Jornal “Estado de São Paulo”, defende que a aceleração inflacionária derivou centralmente dos preços dos alimentos. Segundo ele: “Desde 1980 é registrada a inflação pelo IPCA. Nesses 33 anos, em apenas duas ocasiões a inflação de alimentos foi maior do que a do IPCA durante mais de 11 meses.
 
Isto ocorreu de junho de 2007 a agosto de 2008 e de maio de 2012 a abril deste ano. No final dessas duas ocasiões, o IPCA girou no limite do teto da meta de inflação, de 6,5%.”
 
De acordo com ele, entre maio de 2012 e junho de 2013, caso não tivesse ocorrido a elevação nos alimentos, a inflação “teria ficado abaixo do centro da meta, de 4,5%, mais precisamente em 3,5%.”
 
Com relação à recente elevação da Selic, Khair alerta que, caso a taxa continue sendo elevada até 9,25% em outubro, isso gerará um custo fiscal adicional para a sociedade que poderá atingir R$ 52 bilhões. Caso a hipótese de Amir Khair esteja certa, é grave, pois significa menos recursos para gastar em outras áreas, em um momento de fortes reivindicações sociais. Khair alerta, ainda, que esse gasto fiscal amplia a liquidez.
 
Khair alerta que, por outro lado: “A taxa básica elevada, além do dano fiscal, causa atração aos capitais internacionais, mantendo o câmbio artificialmente elevado, tornando o produto importado barato e dificultando a competitividade da empresa local. O artificialismo cambial gera o desequilíbrio nas contas externas, que registraram rombo de US$ 72,5 bilhões, nos doze meses até junho.” Apresenta também no artigo outro gráfico, visando demonstrar que “o câmbio de equilíbrio para restaurar [as contas externas] é de R$ 3,00/US$”.
 
Destaca que outra variável grave, influenciada também pela taxa Selic, é a taxa de juros ao tomador. “No país, é de 90% ao ano ao consumidor e de 45% para as empresas, de acordo com a Anefac. Isso trava o consumo, ao dobrar o valor das prestações, e reduz a oferta, ao impor limite financeiro ao capital de giro das empresas.”
 
Ao fim do artigo, Khair afirma que um desafio colocado para o atual governo é consolidar uma mudança estrutural na situação da taxa de juros no país.
 
Mauro Osório – Economista

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