Inflação


No final da semana passada, o IBGE divulgou a inflação de junho de 2013, através do IPCA, que foi de 0,6%.
 
Depois de uma forte aceleração inflacionária, a partir de setembro de 2012, principalmente pelo choque de alimentos, ocasionado pelas quebras de safras em âmbito internacional, a inflação do Brasil passou a apresentar, mês a mês, uma tendência consistente de queda.
 
A inflação pelo IPCA foi: em janeiro de 2013, de 0,86%; em fevereiro, de 0,60%; em março, de 0,47%; em abril, de 0,55%; em maio, de 0,37%; e em junho, de 0,26%.
 
A queda inflacionária, em junho, através do IPCA, foi bem abaixo da que o mercado esperava.
 
A mídia do final de semana e hoje, apontou que as manifestações ocorridas no mês passado teriam contribuído para uma queda de vendas e desaceleração inflacionária. No entanto, pelos dados existentes, acredito que o principal fator a ocasionar uma nova queda, de maio para junho, foi a variação dos preços dos alimentos, que caiu, nesse período, de 0,31% para apenas 0,04%. As pessoas não deixam de comprar alimentos por causa das manifestações.
 
Para o mês de julho de 2013, os analistas do mercado financeiro preveem uma inflação ainda menor, inferior a 0,20%.
 
Isso trará a inflação para dentro da meta do Banco Central, pois a inflação em julho de 2012 foi de 0,43%.
 
Além disso, acredito que, mês a mês, a inflação deverá cair, tendo em vista que no segundo semestre de 2012 ela sofreu uma aceleração principalmente por causa dos problemas climáticos.
Nos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2012, as inflações mensais foram de, respectivamente, 0,41%; 0,57%; 0,59%; 0,60%; e 0,79%.
 
Essa perspectiva somente será alterada se o dólar sofrer, até o final do ano, uma nova valorização significativa com relação aos preços atuais.
 
No entanto, diversos analistas apontam que isso não deverá ocorrer. No jornal Valor Econômico do dia 08/07/2013, o economista Sérgio Goldenstein, sócio fundador e gestor da Arsa Investimentos, afirma que: “O movimento de depreciação do Real foi exagerado. Quando a volatilidade externa diminuir, o dólar, hoje na casa dos R$ 2,26, tende a se acomodar, em uma faixa entre R$ 2,10 e R$ 2,15. Entre outros pontos, Goldenstein ressalta que o Brasil ‘é o único país importante’ que está elevando os juros. E com a remoção de amarras cambiais, como o IOF para renda fixa e derivativos, torna-se mais atraente para os estrangeiros.”
 
Existe na imprensa uma preocupação com a questão da transparência, que é correta, e a sustentabilidade da atual política fiscal. Por outro lado, existem exageros, como o apontado por Delfim Netto, na sua Coluna de hoje, no valor Econômico, intitulada: “Afinal, não é o apocalipse fiscal”
 
Delfim abre sua Coluna com o seguinte trecho: “O Brasil vive um paradoxo. Sua situação fiscal não é tão tranquila quanto sugerem as autoridades e nem tão catastrófica como insistem alguns portadores das virtudes da austeridade”.
 
Outra preocupação apontada no momento, que é correta, é com o congelamento de algumas tarifas. Nesse caso, deve-se dar transparência às planilhas de custos e, caso a sociedade resolva subsidiar algumas tarifas, que faça isso com transparência e com um debate claro sobre as prioridades sociais.
 
Por último, ainda com relação à inflação, o jornal O Globo do dia 08/07/2013, trouxe a seguinte declaração: “O economista Joaquim Elói Cisne de Toledo destaca que, se a inflação continua em torno de 6,5%, significa dizer que os demais preços da economia sobem a um ritmo bem acima dos preços administrados, em torno de 7,5%”.
 
Sobre isso, é importante lembrar que a elevação da inflação, no segundo semestre de 2012, e a queda em 2013, não se devem a uma generalização de elevações e de quedas de preços, mas sim a uma subida e queda dos preços dos alimentos.
 
Ainda sobre esse ponto, Amir Khair, em artigo publicado no Estadão, apontou que: “O que causou a inflação foram os alimentos in natura, por causa do choque climático. Eles cresceram 55% nos últimos 12 meses, impactando os preços dos alimentos. O IPCA ex-alimentos gira desde meados do ano passado no entorno de 4% (!) ao ano, portanto, abaixo do centro da meta de inflação de 4,5%. Como está se dissipando o choque agrícola, e como já está entrando no mercado a nova safra recorde, os preços dos alimentos estão retrocedendo. Em maio, a inflação foi de 0,37%, que anualizada é de 4,5%”.
 
Mauro Osório – Economista

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