Bancos


Hoje, o jornal O Globo publicou uma matéria sobre o Banco do Brasil com a seguinte chamada: “BB: lucro recorde de R$ 10 bi no primeiro semestre. O Resultado foi inflado pela oferta de ações da BB Seguridade. A Carteira de empréstimo do banco cresceu 25,2%”.
 
Mesmo descontando a influência do lançamento das ações da BB Seguridade, o resultado foi ótimo. De acordo com a matéria, o resultado fez com que as ações do banco subissem 1,7% ontem.
 
Além disso, a matéria destaca que: “Corretoras apontam potencial de valorização dos papéis de 30% a 41%. (…) O lucro do Banco do Brasil divulgado ontem surpreendeu analistas de corretoras e bancos de investimento que recomendaram a clientes a compra das ações da instituição financeira. Foi assim no Deutsche Bank, Bradesco, Itaú BBA e Banco Plural, que traçaram um potencial de valorização das ações de 30% a 41% nos próximos doze meses.”
 
A matéria apontou ainda que houve uma queda dos “empréstimos com atraso superior a 90 dias [que] representavam 1,87% da carteira do banco no final de junho, abaixo dos 2,05% de dezembro de 2012 e da média do mercado, ainda superior a 4%.”
 
O presidente do Banco do Brasil apontou que “se projetássemos o banco pela previsão dos analistas, já teríamos quebrado.”
 
A análise faz sentido. Quando houve a crise no final de 2008, os créditos nos bancos privados travaram. Nesse momento, o governo orientou o Banco do Brasil a avançar na política de créditos, para não potencializar a crise internacional no Brasil. Houve então forte grita, acusações de populismo e de que o Banco do Brasil e seus acionistas seriam fortemente prejudicados. No ano seguinte, o Banco do Brasil apresentou, até aquele instante, o maior lucro de sua história.
 
Recentemente, importantes analistas afirmavam que os bancos públicos estariam com uma política de crédito “descontrolada”. Até o momento, isso não aparece nos resultados. Vamos aguardar os próximos balanços do Banco do Brasil, Caixa e BNDES, para realizarmos análises em termos objetivos.
 
A política de redução da taxa de juros no país, que ainda está fora dos padrões internacionais, é extremamente importante. O juro fornecido pelo mercado financeiro aos rentistas é decisivo para a aplicação ou não no setor produtivo. Ou seja, para ir para o risco, os detentores de capital vão querer ter uma margem superior ao que ganham na aplicação financeira. É necessário trazer os juros no Brasil para a normalidade.
 
Mauro Osório – Economista

Bancos
Compartilhe:
FacebooktwitterredditpinterestlinkedinmailFacebooktwitterredditpinterestlinkedinmail