Comércio


Ontem foi divulgada a variação das vendas no varejo, no país, no mês de julho.
 
Os dados surpreenderam as previsões hegemônicas dos analistas. Ocorreu um crescimento nas vendas, entre junho e julho de 2013, de 1,9%, contra uma previsão média de 0,3%.
 
De acordo com o jornal Valor Econômico, de 13/09/13, o resultado derivou de uma deflação nos alimentos e do programa Minha Casa Melhor, que impulsionou as vendas de móveis e eletrodomésticos.
 
Além disso, de acordo com o Jornal O Globo, 13/09/13, “a alta no comércio foi generalizada: 7 dos 8 setores pesquisados registraram avanço. No ano, o comércio viu as vendas subirem 3,5% e, nos últimos 12 meses, 5,4%.”
 
Outro destaque, ainda de acordo com o jornal O Globo, foi “o setor de vestuários e calçados, que cresceu 5,4% em julho.”
 
O Valor Econômico apontou que, pela Consultoria Tendências, o crescimento das vendas no varejo será de apenas 2,2%. Já a Votorantin Corretora “projeta elevação entre 2% e 2,5% nas vendas deste ano”.
 
Será que essas duas projeções não estão muito pessimistas?
De acordo com o Jornal do Commercio: “A CNS revisou as projeções para o crescimento nas vendas de 2,8% para 4,2%, em 2013.”
 
De fato acredito que haja hegemonicamente um pessimismo exagerado. Recentemente, foi divulgado o índice de inflação pelo IPCA para agosto, de 0,24%. A grande maioria dos analistas ressaltou um aumento, com relação ao IPCA de julho, de apenas 0,03%.
 
Foi dado muito pouco destaque ao fato de que o IPCA de agosto/2013 foi muito inferior ao de agosto/2012, de 0,41%. Além disso, cabe destacar que, pelo fato de o IPCA em setembro/2012 (0,57%), outubro/2012 (0,59%), novembro/2012 (0,60%) e dezembro/2012 (0,79%) terem sido muito altos, principalmente pelo choque de alimentos ocorrido naquele período, a inflação deve terminar o ano de 2013 inferior à de 2012, de 5,84%, principalmente no cenário atual de recuo e acomodação do valor do dólar.
 
Deve-se lembrar ainda de que o choque de alimentos, pelo IPA Agropecuário da FGV, gerou uma inflação de 16,02%, em 12 meses em janeiro de 2013, contra uma queda do mesmo índice em 12 meses, em agosto de 2013, de -2,41%.
 
Ainda sobre a inflação, alguns analistas têm ressaltado que, nos últimos 12 meses, os itens administrados subiram apenas 1,26%, enquanto os livres subiram 7,64%, supondo inclusive, em algumas análises, que pode existir um tsunami inflacionário represado. Em primeiro lugar, não parecem levar em consideração a importante mudança no cenário da inflação de alimentos.
 
Em segundo lugar, deve-se também levar em consideração que se, por um lado, o não reajuste dos preços dos derivados de petróleo tem claro vínculo com a questão da inflação e gera problemas, por outro lado, o não reajuste dos transportes coletivos não foi uma medida visando segurar artificialmente a inflação, mas sim atender o clamor das ruas.
 
É claro que a questão dos transportes coletivos e seu preço deve ser discutida com transparência. Primeiro, verificando os custos das empresas e, em segundo lugar, fazendo uma discussão pública sobre se deve haver um subsídio, como ocorre em outros países.
 
Por último, no caso da energia elétrica, a controversa queda de tarifas também não teve como objetivo conter a inflação, mas sim foi baseada na tese de diminuição de custo no setor e visando dar mais competitividade à atividade industrial.
 
Mauro Osorio – Economista

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