Comentário do Mauro Osorio

No dia 18/11/2013 saiu uma notícia no O Globo, apontando que: “Cais do Valongo é candidato a Patrimônio da Humanidade. Pelo local, passaram mais de um milhão de escravos no século XIX”.

Acho que a candidatura é uma ótima notícia.

O Cais do Valongo e New Orleans foram os locais, segundo informações da Prefeitura do Rio, por onde mais entraram escravos no mundo.

Acredito que uma das potencialidades da Zona Portuária é a de turismo histórico. O Sebrae mapeou mais de cem pontos com potencialidade para a realização de roteiros e produtos turísticos.

Sugiro, como política para a região, realizar uma desapropriação dos imóveis pertencentes à igreja e procurar induzir o seu uso para atividades vinculadas ao que podemos chamar de terciário superior, que inclui atividades vinculadas à cinema e vídeo, informática, inovação, design, moda etc.

Induzir o turismo, o entretenimento e atividades vinculadas ao setor citado é importante em uma política de revitalização da região. Na região existe ainda propriedades do Exército subutilizadas.

O jornal O Globo também publicou no dia 19/11/2013 um ótimo caderno sobre mobilidade urbana, feito com base em pesquisa patrocinada pela CNI. O caderno defende o adensamento das metrópoles. Por outro lado aponta que os BRTs ligam a Barra da Tijuca a Campo Grande e Santa Cruz – Transoeste; a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim – Transcarioca; e a Barra da Tijuca a Deodoro – Transolímpica, ampliando a centralidade da Barra da Tijuca.

Isto não estimulará a expansão da cidade do Rio e está em contradição com o que defende a pesquisa que deu base ao caderno? Reforçando essa hipótese, no mesmo caderno, Laura Valente, consultora do World Resources Institute – ONG sediada em Washington, afirma que o grande indutor da ocupação é o transporte.

Por outro lado, os autores do estudo da CNI assinalam que a capital paulista vem construindo uma rede metroviária que tem a região central como foco. O trabalho aponta que: “É possível estimar que o centro expandido paulista terá seu papel aglutinador fortalecido nas próximas décadas, com a conclusão dessa rede.”

O caderno enfatiza ainda a necessidade de habitações com finalidade social, tendo em vista misturar, no mesmo local, atividades empresariais com moradia para as diversas classes sociais. Lembro que, na França, as prefeituras são obrigadas a ofertar ao menos 20% do total das moradias existentes para finalidade social, através de aluguel ofertado pelas prefeituras.

Em entrevista ao caderno, Elkin Velásquez, da ONU-Habitat, afirma que: “O Conselho de Governo da ONU-Habitat defende uma cidade compacta, bem articulada e conectada, integrada espacial, social e ambientalmente e sobretudo inclusiva para que os mais pobres não sejam relegados a viver nos lugares mais afastados.”

Ainda de acordo com Elkin: “É preciso começar a aplicar um novo mantra: localização, localização, localização. Também há de se inovar em termos de mecanismos de acesso à moradia, como, por exemplo, com novas políticas de aluguel habitacional. O Uruguai começou uma boa política nessa direção.”

Ainda na matéria, a urbanista Raquel Rolnik, aponta que existe “uma relação muito estreita entre a exclusão territorial e a violência urbana. Os municípios que apresentam as piores condições de exclusão territorial, e não os mais pobres, são aqueles onde há mais violência. Isto está muito mais associado à exclusão do que à pobreza propriamente dita.”

Metrópoles integradas tendem a ser inovadoras. Metrópoles com maior segregação territorial tendem a ser mais violentas.

Mauro Osorio – Economista

Comentário do Mauro Osorio
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