Pleno emprego favorece vendas no varejo carioca

AldoO Jornal do Commercio inseriu em sua edição de 17 de setembro, o caderno especial “Projeto Brasil: o País Inadiável”. Na pag. 8 do caderno C-39, o empresário Aldo Gonçalves, presidente do SindilojasRio e do CDLRio, concedeu entrevista a Vinicius Medeiros, que transcrevemos a seguir:

Pleno emprego favorece vendas no varejo carioca

Presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDLRio e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro – SindilojasRio, Aldo Gonçalves vê o varejo do Rio em bom momento, impulsionado, sobretudo, pela melhora na segurança pública, que estimula a população a sair para fazer compras, e as ações dos lojistas, que estão investindo mais em ações promocionais e de marketing para atrair a clientela. Gonçalves, contudo, reconhece que o ambiente macroeconômico não é dos mais propícios, mas acredita que indicadores preocupantes, como a inadimplência, tendem a se estabilizar, principalmente no Rio de Janeiro, onde os níveis de emprego continuam elevados. Para escapar de eventuais problemas que venham afetar o comércio, segundo o presidente do CDLRio e do SindilojasRio, “cabe ao lojista pensar em reduzir custos para enfrentar a carga tributária, que afeta o rendimento dos lojistas, e buscar soluções criativas para elevar as vendas. Tudo isso, entretanto, exige planejamento e execução bem feita”.

A bolha de consumo no Brasil, que favoreceu o varejo nos últimos anos, parece dar sinais de arrefecimento. Quais serão os impactos para o setor? Como os empresários devem se preparar?

Aldo Gonçalves: Para poder se preparar, o lojista tem que analisar as causas. No primeiro semestre, por exemplo, ouve uma série de feriados que prejudicou o varejo. Depois veio a Copa do Mundo, que também afetou o movimento do setor, mesmo com a permissão para que as lojas abrissem durante os feriados decretados pela Prefeitura do Rio. Agora,teremos o processo eleitoral, que deve gerar o mesmo fenômeno ocorrido na Copa, que tirou o foco do consumo da população. Além disso, há fatores macroeconômicos, como a inflação resistente, que corrói a renda do trabalho do consumidor, tirando seu poder de compra, e o endividamento das famílias, principalmente das classes C e D. Todos esses fatores, portanto, têm prejudicado o varejo. Cabe ao lojista pensar em reduzir custos para enfrentar a carga tributária, que afeta a rentabilidade dos lojistas, e buscar soluções criativas para elevar as vendas. Tudo isso, entretanto, exige planejamento e execução bem feita.

Diferentemente do restante do País, o comércio carioca vem apresentando boas taxas de crescimento nas vendas. O que explica esse bom momento?

Aldo Gonçalves:  Primeiro, o índice de desemprego no Rio é muito pequeno, abaixo de 5%%. Houve também grande melhoria na qualidade de vida da população, sobretudo por conta das inaugurações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Além disso, os grandes eventos na cidade também aumentaram a autoestima do carioca.Todos esses fatores, portanto, estimularam as pessoas a consumir – elas precisam se sentir felizes e satisfeitas para fazer isso. A questão básica, entretanto, é realmente o pleno emprego. Sem renda,ninguém consome.

Dados de inadimplência vêm crescendo quando comparados aos anos anteriores. Faça uma análise do varejo para os próximos anos.

Aldo Gonçalves:  Hoje, posso dizer que não é nada assustador. Houve crescimento muito grande da venda a crédito no Brasil nos últimos anos, o que consequentemente elevou um pouco a taxa de inadimplência. Hoje em dia, com os instrumentos que o comércio dispõe de serviço de proteção ao crédito, fico tranquilo em relação ao indicador. A tendência é a inadimplência se estabilizar daqui para a frente, até porque, em geral, o consumidor é bom pagador. A instalação do Cadastro Positivo com score, como já existe na Europa, também deve ajudar a diminuir a taxa de risco dos bancos. O projeto ainda está em desenvolvimento, com algumas questões a resolver, mas é mais um instrumento que ajudará o comércio carioca a enfrentar a inadimplência.

O Senado aprovou recentemente lei que permite descontos para quem pagar à vista. Que impacto essa flexibilização pode trazer ao comércio?

Aldo Gonçalves:  A medida é excelente, teve participação das entidades ligadas ao comércio varejista para sua aprovação e tende a diminuir os custos dos lojistas. Embora a venda por cartão de crédito, do ponto de vista contábil, seja considerada à vista, do ponto de vista financeiro não é, já que o recebimento só ocorre 30 dias depois,sem contar as taxas pagas às operadoras. Então, como essa modalidade
é muito utilizada, penaliza-se o lojista que pode receber à vista, com dinheiro ou cheque, porque o setor paga ainda uma taxa de deságio de 4% a 5%%, representando um custo adicional muito alto. No exterior, por exemplo,esse percentual é muito menor. No passado,admitia-se taxas tão altas por causa da inflação, o que não é o caso agora.A maior aberração, entretanto, é o cartão de débito,
que tem um custo de 2%%. Trata-se de um pagamento à vista,sem qualquer risco na transação, já que o valor sai de uma conta a outra. Além disso,é uma transação eletrônica, que não deveria ter custo para as operadoras, mas ainda assim é cobrada essa taxa, que,no exterior, quando é cobrada, não passa de uma taxa fixa de centavos por operação. Sendo assim, a nova lei tem tudo para reduzir os custos dos lojistas, que poderão repassar este alívio ao consumidor.

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