Crise assombra desempenho do comércio no Dia das Crianças

fd421009f8dc79bda2f35051fe7c4567Neste Dia das Crianças, quarta data mais importante no calendário do varejo brasileiro, os impactos da crise econômica voltaram a bater à porta dos comerciantes. Acostumados a um salto significativo em seu volume de vendas durante as épocas comemorativas, neste ano eles devem registrar seu pior resultado desde 2003. Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas nacionais terão uma queda de 2,8%, movimentando um total de R$ 4,3 bilhões.

O roteiro vem se repetindo em todas as datas comemorativas de 2015. Para Aldo Gonçalves, presidente do Clube de Diretores Lojistas (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (SindilojasRio), o fraco desempenho resulta do “pior dos mundos”: inflação em alta, juros elevados e crédito escasso. Cálculos da CNC com base em dados do Banco Central revelam que as prestações decorrentes de empréstimos e financiamentos contraídos pelos consumidores estão, em média, 7,7% mais caras do que há um ano.

Ainda de acordo com o levantamento da CNC, apenas o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico registrará alta nas vendas durante o Dia das Crianças. Considerado o principal responsável pela comercialização de brinquedos e eletroeletrônicos, o setor deverá ter valorização de 4,6%, respondendo por 37,5% do faturamento total.

Embora se mantenha em terreno positivo, o segmento também mostra sinais de desaceleração se comparado a anos anteriores. Em 2014, por exemplo, o crescimento chegou a 7,9%. A entidade estima que os ramos de hipermercados, vestuário e livrarias, que também são influenciados pela data, terão recuo de 2,8%, 3,2% e 12,3%, respectivamente.

As projeções de empresários lojistas da Cidade do Rio de Janeiro são um pouco mais otimistas. Em uma pesquisa realizada com 500 lojistas da capital, o CDLRio concluiu que o comércio carioca terá um crescimento de 2% nas vendas deste Dia das Crianças. Segundo Gonçalves, presidente do órgão, trata-se de um “otimismo moderado” que advém, principalmente, do esforço dos pais e familiares em presentear as crianças mesmo em momentos de crise.

Na visão de Gonçalves, o cenário é de incertezas e falta de confiança não apenas por parte do lojista, mas também do consumidor. No acumulado de 2015, a inflação do varejo já registra alta de 6,5% e, nos últimos 12 meses, os preços dos bens e serviços mais demandados pelos consumidores no Dia das Crianças apresentaram variação média de 8,1%. A esses números se somam o aumento do desemprego e o arrocho orçamentário das famílias brasileiras.

Para driblar os contratempos, Gonçalves afirma que os comerciantes precisaram lançar mão de promoções e descontos nos pagamentos à vista. “Pagamentos à vista são a melhor opção porque cartões oneram muito o comerciante, alguns até deixaram de trabalhar com eles”, explica. Mesmo assim, a pesquisa feita pelo CDLRio indica que o parcelamento no cartão de crédito deverá ser a preferência dos clientes, respondendo por 95% das formas de pagamento neste Dia das Crianças. O órgão também levantou que o preço médio dos presentes será de R$ 120,00.

Na opinião de Gonçalves, a concorrência do comércio informal – “que em datas como esta inundam a cidade com produtos piratas e contrabandeados” – também prejudica os comerciantes. Segundo o presidente do CDLRio, o impacto da informalidade para os lojistas ultrapassa 30%, dependendo do segmento. Muitas pessoas optam por vender produtos sem as devidas licenças e alvarás para sua atividade em função do alto custo deste processo. “De janeiro e junho deste ano, 300 mil lojas já foram fechadas apenas no município do Rio de Janeiro. E muitas vezes o empresário lojista não consegue nem fechar o seu estabelecimento porque existem muitos impostos para fazê-lo”, lamenta.

Fonte: www.jb.com.br  de 10/10/2015

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