Inflação

O IBGE divulgou que o IPCA-15, de maio, apresentou uma variação de 0,46%, a mais baixa do ano, em relação aos meses de janeiro a abril, refletindo, principalmente, uma desaceleração do grupo de alimentação e bebidas, que passou de uma variação de 1%, na prévia de abril, para 0,47%, na prévia de maio.
 
Dessa forma, o acumulado alcançou 6,46%, abaixo do teto.
O teto da inflação anual deve novamente ser ultrapassado, em junho, pelo fato de que, em junho de 2012, a inflação foi extremamente baixa e que ocorrerá, nesse mês, o reajuste das passagens de ônibus, metrô e trens.
 
No segundo semestre, no entanto, a inflação anual deverá voltar a cair, tendo em vista que a elevação real do salário mínimo este ano foi bem menor do que a do ano passado; a inflação do setor de serviços, embora ainda alta, já começa a ceder; a safra agrícola brasileira recorde este ano; e a provável inexistência de quebra de safras na economia internacional, no nível particularmente alto que ocorreu no segundo semestre de 2012. Além disso, o nível de disseminação inflacionária nos últimos dois meses vem caindo.
 
Esse número menor de inflação, do IPCA-15, divulgado ontem, está em linha com uma queda que já vinha ocorrendo em outros índices importantes de inflação no país, como, por exemplo, o índice da USP-FIPE, que passou de 1,15%, em janeiro de 2013, para 0,28%, em abril de 2013; o IGPM-FGV, que passou de 0,34% para 0,15%; e o IGPDI-FGV, que passou de 0,31% para 0,06%.
 
Isso parece demonstrar que a inflação do Brasil está longe de uma situação de descontrole. No entanto, isso não elimina a necessidade de se buscar aproximar a inflação da meta, com medidas que consolidem a desindexação no país e o uso dos demais instrumentos disponíveis.
 
Deve-se lembrar, porém, que, se por um lado, não podemos ser lenientes com a inflação, devemos ter claro que a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem.
 
Mauro Osório – Economista

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