Nem-Nem na metrópole Carioca

A questão dos jovens que não trabalham nem estudam é um problema internacional. No entanto, parece-me que existem particularidades. Um ponto a ser destacado é que, apesar do Brasil ter hoje uma taxa de desemprego bastante baixa, ele aparece como o 7º país com a maior proporção de jovens sem estudar nem trabalhar, entre 15 e 29 anos, apresentando um percentual, sobre o total de jovens, de elevados 18,4%.

Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro-RMRJ, esse quadro é bem mais grave. No conjunto dos municípios da periferia da RMRJ, de acordo com dados do Censo de 2010 para jovens na faixa entre 18 e 24 anos (para a qual temos dados organizados), o percentual de “nem nem” atinge alarmantes 32,1%, contra um percentual nas periferias das RMs SP e BH de, respectivamente, 26,5% e 25,3%.

Da mesma forma, no território carioca existem diversas Regiões Administrativas com um percentual de jovens sem estudar nem trabalhar igual ou superior a 30%: RA de São Cristóvão, 30,7%; Penha, 32,5%; Anchieta, 30,1%; Complexo do Alemão, 32,9%; Pavuna, 30,0%; Jacarezinho, 38,8%; Santa Cruz, 38,4%; Bangu, 35,1%; e Guaratiba, 33,0%.

Vê-se que, na RMRJ, as piores situações encontram-se na periferia da Região Metropolitana, na Região do Centro, da Zona Suburbana e na Área de Planejamento 5 da cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, o problema é bem menos grave na Zona Sul e Grande Tijuca.

Outro dado a apontar, sobre as especificidades da RMRJ, diz respeito à quantidade de jovens entre 18 e 24 anos que estão fora do mercado de trabalho. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, o peso da população jovem economicamente ativa no total da população jovem em idade ativa, no ano de 2013, nas Regiões Metropolitanas pesquisadas, foi a seguinte: Recife, 58,7%; Salvador, 61,5%; Belo Horizonte, 70,3%; Rio de Janeiro, 58,6%; São Paulo, 74,8%; e Porto Alegre, 72,6%.

É curioso porque, por um lado, a RMRJ apresenta uma taxa de desemprego, para o total das faixas etárias, de 4,5% , a terceira mais baixa entre as metrópoles pesquisadas. Por outro lado, ela apresenta o maior percentual de jovens sem trabalhar nem procurar emprego. Uma hipótese otimista seria que, no Rio de Janeiro, os jovens estariam, em maior proporção, apenas estudando. Isto, no entanto, não me parece a hipótese mais provável, pelo fato de que as RMs pesquisadas do Sul e Sudeste, onde existem as remunerações mais altas, são aquelas em que existem mais jovens trabalhando ou procurando trabalho, excetuando-se a RMRJ. A RMRJ possui um perfil mais próximo às metrópoles do Nordeste.

  Mauro Osorio – Economista

Nem-Nem na metrópole Carioca
Compartilhe:
FacebooktwitterredditpinterestlinkedinmailFacebooktwitterredditpinterestlinkedinmail