História

Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro CDLRio  –  Desde 1955 Protegendo o Comércio

Tudo começou diante da necessidade do comércio de varejo poder vender seus produtos em prazos mais longos e com melhor cobertura. Nas reuniões no Sindicato dos Lojistas do Rio de Janeiro – Sindilojas-Rio, muito se debatia a questão das vendas a prazo. Vendia-se a prazos curtos, sem garantia e com pouca lucratividade.

O Rio de Janeiro como capital federal detinha a primazia dos negócios. E um grupo de empresários cariocas após longas conversas em almoços decidiu constituir um Clube que viesse reunir esforços no tocante ao crediário, a prazos longos e preços atrativos.

No dia 7 de novembro de 1955, em uma reunião-almoço realizada no restaurante do Magazine Mesbla, efetivou-se a criação do Clube de Diretores de Lojas a Varejo do Rio de Janeiro, hoje Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro, CDLRio, sonho acalentado durante muito tempo por alguns empresários do setor e motivo de muitas reuniões que antecederam a essa. Era necessário definir muito bem os objetivos para o qual o Clube haveria de ser fundado, sendo o principal a troca de informações para a formação de controle.


Os fundadores foram a Exposição Modas S/A, Agostinho S/A – O Camiseiro, Casa Barbosa Freitas de Tecidos Ltda., Casa José Silva Confecções S/A, Casa Neno S/A Importação e Comércio, Companhia Brasileira de Roupas, Galeria Carioca de Modas S/A, J. Segadaes, Mesbla S/A, Ponto Frio S/A e Tavares Carvalho Roupas S/A.

O primeiro presidente do CDLRio foi o Sr. Jesuíno Lourenço, presidente do Sindicato de Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro – Sindilojas-Rio. Desde essa época o Sindilojas-Rio e o CDLRio formam uma parceria que só tem trazido benefícios para o comércio lojista.

Nas primeiras atas das reuniões fica patente a preocupação em dotar o setor de instrumentos norteadores de uma política de intercâmbio de informações, de fortalecimento da classe, através da colaboração recíproca entre os comerciantes e que, ao mesmo tempo servissem para disciplinar o crédito ao consumidor, processado na época de uma forma um tanto arcaica. O Cadastro de Proteção ao Crédito foi implantado nos moldes de um serviço iniciado nos Estados Unidos, com as modificações necessárias à realidade brasileira.

O novo sistema de crediário veio revolucionar de forma notável o comércio no Rio de Janeiro, em São Paulo e demais metrópoles. Afinal, veio permitir aos consumidores financiamento para a compra de produtos de seu interesse e o lojista de fornecer seu produto a prazo para os consumidores que realmente pudessem ter meios de responder pelo crédito concedido.

Aliás, a palavra crediário foi lançada em nosso país por uma loja muito conhecida na época, a Sensação Modas e foi criada por um renomado comerciante, Loreno de Souza Carvalho. É a junção dos vocábulos crédito + diário.

Falar-se hoje da venda financiada e da consulta ao Cadastro de Proteção ao Crédito é repetir o que todo mundo já sabe. Mas se voltarmos o nosso pensamento para os idos de 1955, conclui-se que realmente essa iniciativa foi de largo alcance para o desenvolvimento do comércio de varejo.

Para avaliar a real importância do Cadastro de Proteção ao Crédito e a revolução que este provocou no sistema comercial brasileiro é preciso recuar no tempo para antes da criação do CDLRio e acompanhar o depoimento do Sr. Osvaldo Tavares um dos fundadores do Clube e também seu ex-presidente que, levou-nos a conhecer o antigo sistema de crédito ao consumidor. Diz ele que as grandes empresas possuíam um corpo de informantes que fazia o levantamento da vida pregressa do proponente a concessão de crédito. Os principais locais para a coleta dessas informações eram a padaria, o açougue e a mercearia próximos à residência do interessado. Se as informações fossem positivas, concedia-se o crédito e essa ficha, de caráter altamente sigiloso, ficava arquivada na casa comercial. Dias se passavam até que o cliente soubesse se o seu crédito tinha sido aprovado ou não. O lema do comércio de então era “o segredo é a alma do negócio”.

A proposta do Clube, frontalmente contrária ao caráter secreto dos dados coletados, propugnava pelo intercâmbio entre todo o comércio varejista e a troca de informações centralizada em um só serviço.

Voltando às atas, percebe-se, também, dos próprios associados o receio de serem as fichas de informações utilizadas indevidamente por empresários inescrupulosos que viessem usar as mesmas para angariar clientela.


Assim, nos primeiros tempos, as fichas que compunham o arquivo do Cadastro de Proteção ao Crédito cabiam em uma caixa de sapatos. Podemos dizer que tudo começou em uma “caixa de sapatos”. Nessa época as informações eram processadas em cerca de 48 horas, um verdadeiro progresso em relação à situação anterior e os diretores do CDLRio, após o fechamento de suas casas comerciais acorriam ao Cadastro de Proteção ao Crédito para ajudar na organização e no processamento de dados.

Em uma sala das dependências do Sindilojas-Rio, na Rua da Quitanda, por gentileza de Jesuíno Lourenço, ficava a sede do CDLRio, enquanto que o Cadastro de Proteção ao Crédito, por seu turno, instalou-se até 1958 em um prédio localizado no Beco dos Barbeiros.

Em 1958, o CDLRio transferiu-se para três salas alugadas na Avenida Presidente Vargas, 463. Algum tempo depois adquiriu o andar inteiro, o que só foi possível graças a uma campanha de arrecadação de fundos entre os associados.

Engana-se quem pressupõe que nesses primeiros anos de existência o CDLRio tenha se preocupado apenas com o crediário. A necessidade de se disciplinar o comércio ambulante no Centro e nos bairros, os estudos para a diminuição de tributos federais, estaduais e municipais no setor, o envolvimento político para a defesa dos interesses da classe e tantas outras atividades foram promovidas ou encampadas pelo Clube, como demonstram as atas das reuniões pesquisadas.

Em 1960, cinco anos depois de fundado, o CDLRio que havia começado com 11 associados, já possuía 37 associados e mais não teve por força de cláusulas estatutárias, de então, que não permitiam novas adesões.


As informações prestadas nessa época já eram, em grande parte, processadas através de telefones de magneto localizados nas grandes lojas e conectados ao Cadastro de Proteção ao Crédito. Rodava-se a manivela do telefone e um atendente do CDLRio  coletava os dados do cliente e encaminhava ao setor de arquivo. Este por sua vez retornava ao atendente com as informações solicitadas que eram, posteriormente, repassadas ao lojista. Nessa operação demoravam-se em média duas horas. Os associados que tinham um número menor de consultas diárias continuavam a fazê-las através de mensageiros. Mais tarde surge mais uma inovação e que funcionou concomitante ao sistema antigo: colocou-se para as pequenas e médias empresas o PABX, uma central telefônica onde o usuário discava o ramal relativo à letra do primeiro nome do cliente a ser consultado e esta ligação dirigia-se ao atendente responsável por aquela letra.

De 1966 até 1970, foram formuladas mais de 24 milhões de consultas de crédito ao Serviço de Proteção ao Crédito.

Quando o Cadastro de Proteção ao Crédito se transferiu para a Rua da Alfândega, em 1975, iniciou-se então a grande revolução tecnológica no CDLRio. Sob a liderança do presidente Sylvio Cunha, o CDLRio equipou-se com um sistema de telefonia dimensionado para um tráfego de 103 ligações simultâneas. Naquela época era a segunda maior central telefônica da cidade, superada apenas pela Bolsa de Valores.


A organização do sistema, ainda em fichas, promoveu uma melhora significativa no tempo de resposta. A resposta que antes chegava a 24 horas, passou a uma média de 2 minutos e meio. Na década de 80, em função do aumento da demanda pelo crédito, o Cadastro de Proteção ao Crédito recebeu mais de 59 milhões de consultas. Na década de 90 foi processada uma média de 67 milhões, ou seja, um aumento superior a 11% em relação ao período anterior.

Foi ainda na gestão do Presidente Sylvio Cunha que o CDLRio implantou a informatização completa do Cadastro de Proteção ao Crédito. A importância e a preocupação de Sylvio Cunha com a qualidade dos serviços foi fundamental para que a entidade preste hoje um serviço com a mais alta qualidade.

Hoje o CDLRio, totalmente informatizado e contando com alguns milhares de associados, opera em sistema online que pode processar milhões de informações/dia para todo o Brasil, com um tempo de resposta imediato.

Desde nossa fundação todos os serviços do Clube possuem um único objetivo que é o de apoiar e auxiliar o processo de tomada de decisões de negócios de nossos associados, contribuindo para a melhora contínua de seus resultados em busca de um bem servir ao comércio e ao consumidor.


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